Cidades Inteligentes

Cidades Gêmeas: como as réplicas digitais contribuem na gestão urbana

Conheça mais sobre o conceito das cidades gêmeas e como ele pode ganhar novas funcionalidades com ferramentas como o Metaverso

Você já ouviu falar em gêmeos digitais? Esse conceito não é tão novo assim, e nem a aplicação deles para a reprodução de espaços como as cidades. Mas agora ele tem emergido e ganhado novas funcionalidades a partir da popularização de outra ferramenta: o Metaverso.

As cidades gêmeas são representações virtuais de uma cidade, rua, avenida, bairro ou até mesmo de um condomínio. Mas essa representação não é apenas do objeto em si, mas também do seu funcionamento e de como ele é afetado a partir da interação com as pessoas.

Em entrevista ao Blog Integra!, Denis Alcides Rezende, pós-doutor em Cidade Digital Estratégica e professor em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), explicou o conceito.

“Cidade gêmea é a possibilidade de você simular em recursos de tecnologia da informação. Simular um ambiente virtual, já fazíamos há 30 anos. Hoje, temos mais ferramentas para isso.”

Denis explica que a partir da cidade gêmea digital é possível recriar uma operação do trânsito, planejar o desenvolvimento habitacional, simular sistemas de iluminação e água e até o escoamento pluvial. Isso permite criar planos de ação a partir desses ambientes, de modo a corrigir a operação do meio urbano com o menor impacto possível para os cidadãos e reduzindo custos – afinal de contas testar em ambiente simulado é muito mais econômico.

Um exemplo clássico disso pode ser a simulação de um incêndio. O Corpo de Bombeiros pode, por exemplo, simular como melhor atender uma emergência em um prédio público ou privado com grande quantidade de pessoas. Traçar rotas, mensurar quantidade de equipes, definir para onde evacuar o fluxo de pessoas. Tudo isso pode ser realizado em um ambiente gêmeo digital, aumentando a possibilidade de êxito no atendimento dessa ocorrência.

Sistemas de Informação Geográfica (GIS) e sensores podem ser aplicados à cidade gêmea digital para que sua operação interfira na cidade real. Por exemplo: podemos saber quando a cidade poderá transbordar com o volume de chuva médio que a atinge ou, em outra hipótese, se poderá haver deslizamento de terra.

A cidade gêmea digital também pode ser uma grande aliada da operação do trânsito.

Os controladores semafóricos, uma das soluções fornecidas pela DATAPROM, podem, por exemplo, ser considerados um atuador em uma reprodução como essa. Eles são os responsáveis por gerenciar os ciclos semafóricos e, a partir de sensores, permitem também ajustes em tempo real para dar prioridade às vias com maior demanda – é o chamado sistema adaptativo a partir do Headway.

Essa movimentação da cidade e ajustes desses ciclos com a inclusão do elemento humano nesse ambiente e a possibilidade de o mundo virtual interagir com o real podem ser trabalhados em conjunto em um gêmeo digital da cidade.

Metaverso

O Metaverso busca unir o mundo real e o virtual dentro de universo digital. Jogos que recriam ambientes reais e envolvem, por exemplo, interações entre seus jogadores e a troca monetária a partir de criptomoedas, por exemplo, podem ser considerados metaversos.

Esses ambientes já existem há algum tempo, mas se popularizaram a partir da entrada de grandes conglomerados de mídia digital, como o Facebook, e personalidades que passaram a adquirir propriedades digitais como reproduções artísticas, casas, terrenos e até iates.

O conceito de gêmeos digitais para a cidade pode ganhar bastante com a popularização do Metaverso. Mais pessoas e ambientes recriados em ambiente virtual tende a tornar essas simulações mais assertivas.

Outro impacto da popularização do Metaverso é a mudança na mobilidade urbana. A facilidade de se reunir a partir de avatares virtuais e de comprar produtos nesse novo ambiente pode trazer menos necessidade de deslocamentos físicos, o que tende a mudar o planejamento do sistema viário e de trânsito. Rezende analisa essas mudanças como irreversíveis.

“O Metaverso é irreversível, assim como o mundo digital foi irreversível. Não é uma questão e opção mais. O desafio é como nós podemos trazer isso em benefício a nós mesmo.”

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